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O Líder e o Exemplo

Dissemos anteriormente que há três características essenciais para que um líder tenha credibilidade: servir de exemplo consistentemente, praticar a escuta ativa e apresentar equilíbrio em suas decisões.

Dar exemplo tem um significado fundamental para os liderados. Somos capazes de seguir espontaneamente pessoas que convergem pensamentos, palavras e ação em suas vidas. Importante distinguir o que seja atitude e comportamento. Embora empregados como sinônimos na vida cotidiana, para a psicologia atitude é vista como o modelo mental, a mentalidade, oculta dentro do ser humano. Comportamento, por sua vez, é a ação visível, observável, controlada pelo sistema nervoso, que se manifesta.

Isso implicar dizer que entre o que alguém diz ser e o que ele demonstra ser pode haver uma distância quilométrica. Isso também faz com que tenhamos mais confiança em alguém quando seus atos demonstram claramente estar em consonância com o que diz pensar e sentir a respeito de determinados eventos, ideias ou situações. Um líder, por exemplo, pode dizer ser totalmente comprometido com a segurança, com a sua vida e a dos outros, mas, se no seu cotidiano ultrapassa limites de velocidade ao dirigir, não faz uso de equipamento de proteção ao entrar em ambiente que o exige, ou não corrige imediatamente um comportamento inseguro de outros, certamente não é alguém a se dar crédito, pois não demonstra com comportamento o que diz ser sua atitude.

Ter comportamento consistente significa tomar a mesma ação ou similar em casos que sejam semelhantes. Por exemplo, dirigir sempre dentro dos limites de velocidade, mesmo que ninguém esteja observando.
Tal consistência na ação gera credibilidade ao líder. E, quando ele a tem, pode influenciar positivamente. Quando o líder é inconstante em suas ações, gera desconfiança, descrença e até mesmo sarcasmo, com mínimas possibilidades de ser levado a sério ou ser seguido.

Em minha vida como executivo de RH tive a oportunidade de observar o efeito incrível do exemplo dado pela liderança. Para que o leitor possa sentir a dimensão do impacto da consistência de ação da liderança, cito o caso da Tintas Coral que, ao ser adquirida pela ICI – Imperial Chemical Industries, em meados dos anos 1990, tinha dados estatísticos de acidentes de trabalho melhores do que a média das indústrias norte-americanas de tintas e das do Reino Unido. Porém, os índices da Coral eram dez vezes piores do que as empresas da ICI e cerca de 20 vezes pior do que a divisão de tintas da ICI, a ICI Paints.

Uma das mais fortes exigências da ICI foi a de que um líder fosse designado para fazer com que os resultados de segurança, saúde e meio-ambiente da Coral caminhassem para a zona de excelência da ICI. Meu cargo, de diretor de RH à época colocou-me como indicado a ser o SHE (Safety – Health – Environment) leader para a América do Sul. Os resultados foram positivamente surpreendentes. Tendo trabalhado com todos os líderes da empresa, ensinando o conceito básico de liderança pelo exemplo e treinando com eles no campo, em breve, para a surpresa da própria ICI alcançávamos índices bem próximos dos excelentes. O trabalho de consistência da liderança, dando exemplos contínuos de compromisso próprio com o tema, autorizava inclusive os liderados a corrigir comportamentos inseguros que qualquer um apresentasse diante deles (incluindo gerentes ou visitantes).

A cultura da segurança estava implantada!

Outros tantos exemplos poderiam ser citados, de situações, conjunturas, crises que foram vencidas porque os líderes assumiram a responsabilidade de liderar pelo exemplo.

O dia em que nossos dirigentes entenderem isso e praticarem a ética com constância e determinação será o momento em que o Brasil poderá estar dando um salto quântico em educação, ética, prosperidade e justiça.

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