O Líder e o Equilíbrio – Parte 1

Ao lado do exemplo consistente e da escuta ativa, o líder deve pautar-se pelo equilíbrio em suas decisões.

Podemos, entre outros aspectos, observar o equilíbrio da liderança, quando suas decisões são tomadas considerando:

  • abrangência;
  • efeitos no tempo;
  • binômio justiça-compaixão.

Por abrangência, entenda-se que o líder deve considerar o que a decisão a ser tomada terá como consequência para todos os envolvidos. Quanto mais alta na hierarquia organizacional, mais e mais grupos são agregados e possivelmente afetados pelas decisões de liderança. Não é incomum uma decisão que baseada apenas em aspectos organizacionais, cause um desastre na comunidade, na reputação da organização etc. Casos recentes e frequentes no Brasil e no mundo bem indicam a necessidade de que a liderança ética e responsável tome decisões observando uma matriz que inclua todos os possíveis envolvidos.

Em segundo lugar, o líder deve considerar os efeitos de sua decisão no percurso do tempo. O que parece ser uma solução ótima para o curto prazo pode ser péssima no médio ou no longo. A economia em manutenção, por exemplo, pode levar à deterioração de máquinas e equipamentos (ou barragens) que destruam valor da organização e afetem irremediavelmente a comunidade.  Decisões têm repercussão no moral e na motivação do time liderado. A decisão deve ter em conta a estabilidade, desenvolvimento e resultados da equipe no tempo.

Todos nós, em virtude da personalidade desenvolvida, tendemos a ser mais concretos, lógicos, ou mais vinculados a relações interpessoais. Olhar para todos os fatores, lógicos e relacionais é fundamental para tomada de decisões equilibradas.

Com respeito ao binômio justiça-compaixão, o equilíbrio das decisões deve ter em conta os valores da organização e a possibilidade de se aprender com a iniciativa, erros e acertos. No aspecto disciplinar, se o líder se baseia apenas nos fatos e lógica para suas decisões, corre o risco de aplicar apenas a justiça e, com isso, criar uma organização que teme inovar, arriscar criar e, por consequência ocultar os erros cometidos, com os quais poderiam todos aprender, ao invés de se tornarem bombas-relógios. Não é incomum nas organizações que aplicam a severidade como regra geral serem surpreendidas pelos efeitos de erros ocultos pelo temor da punição. Se, por outro lado, as decisões forem para a extremidade da compaixão apenas, da tolerância demasiada, sobretudo quando afetados valores centrais da organização, como ética e responsabilidade, o efeito nocivo será igual ou maior do que a aplicação da severidade. A atitude leniente de líderes pode arruinar a reputação, os resultados e destruir a riqueza da empresa ou entidade em que estão inseridos.

Equilíbrio é fundamental nas decisões, assim como também o é no comportamento demonstrado pela liderança. No próximo artigo, vamos trazer algo sobre inteligência emocional, cuja presença nas ações do líder pode levá-lo a ser um sucesso. Em sua ausência, no entanto, o fracasso é quase certo. Convém lembrar que as organizações em geral contratam pessoas pelo seu conhecimento e capacidade de lidar com questões cognitivas (Q.I) e as demitem pela ausência de quociente emocional (Q.E) adequado.

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